COMUNICADO DA ADMINISTRAÇÃO                                                                                                                                                                                                                                                                        

Estimado cliente,

A administração da Serra das Fragas - Fabrico de Queijos, Lda., vem informar que decidiu proceder ao encerramento da empresa.
Tal decisão não resulta de qualquer dificuldade económica ou de solvência.
Com a ajuda dos nossos colaboradores e clientes sobrevivemos ao período pandémico sem qualquer apoio, mantendo todos os postos de trabalho. Enfrentávamos, agora, as vicissitudes da guerra na Europa mas nem por isso desistimos de assegurar o funcionamento e expansão da nossa empresa.
Contudo, a Direção Geral de Alimentação e Veterinária impede-nos de utilizar a nossa Estação de Tratamento de Águas Residuais, que nos custou quase meio milhão de euros e cuja construção e funcionamento foram licenciados pela Câmara Municipal de Armamar, pelo Ministério do Ambiente,  sob a apreciação da mesma DGAV que nos renovou, entretanto, a autorização sanitária que ora nos pretende retirar.
O que está em causa é um regulamento que ninguém conhece e, por isso, também ninguém aplica  e que, basicamente, diz: se o efluente resultante do normal funcionamento duma indústria resulta do processamento de uma matéria prima de origem animal então, o efluente, mesmo que tratado por uma ETARI, não pode ser lançado no coletor de saneamento municipal. Ou seja, indústrias tais como matadouros, charcutarias, queijarias, não podem lançar no coletor municipal o efluente tratado que sai da sua ETARI. O que todos fazem, salvo raras exceções. No entanto, é sobre nós que, discricionariamente, a ação do supervisor incide de forma cega e arbitrária.
Em 2010, esta empresa foi multada em quase 40 mil euros e notificada para encerramento por não ter uma ETARI. Tinha 90 dias para construir e colocar em funcionamento esse equipamento. Hoje e meio milhão de euros depois, no que diz respeito somente ao custo da estação, num investimento global de 2 milhões de euros (sem qualquer apoio ou subsídio), vamos encerrar por não nos autorizarem a utilizar a instalação que nos obrigaram a construir e para a qual as entidades competentes emitiram as respetivas licenças de construção e funcionamento.
Não podendo escoar o efluente que geramos e esgotadas as escassas opções que, para o efeito, a DGAV sugere e permite, resta-nos o encerramento. De referir que as soluções preconizadas por esta entidade ou não são pura e simplesmente exequíveis ou, então, são de operacionalidade ruinosa. A saber: entregar o efluente numa central de produção de biogás, depositar em aterro autorizado, alimentação de suínos.
Assim sendo, só nos resta o fecho da empresa o qual já encetamos por forma a honrarmos todos os compromissos pois, como referimos, não se trata duma insolvência.
Lançam-se para o desemprego trabalhadores, empregos que geramos diretamente. Abandona-se um grupo de produtores e suas famílias que de nós dependem.

Nesta empresa não pagamos salários mínimos e nunca, algum dia, houve algum atraso na solvência de todas as suas obrigações. Nem mesmo durante a pandemia sem qualquer apoio concedido, como já referido, tal aconteceu.

Para terminar, cumpre-nos agradecer, reconhecidos, aos nossos colaboradores, aos nossos fornecedores e aos nossos inestimáveis clientes terem permitido aqui chegarmos, acompanhando-nos com dedicação ao longo destes anos.

MUITO OBRIGADO.

Vila Nova e Porto, 31 de outubro de 2022

A administração